Comitiva de Lula na ONU: hospedagem em Nova York supera R$ 3,2 milhões em viagem de menos de 48 horas

Despesas divulgadas para dois hotéis em Nova York somam R$ 3,23 milhões; Diário Oficial registra pelo menos 73 pessoas autorizadas a viajar para a cidade durante a Assembleia Geral da ONU

A participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, voltou a chamar atenção pelos gastos relacionados à estrutura da viagem. Levantamentos divulgados nesta semana apontam R$ 3.232.523,55 em despesas de hospedagem para a delegação, considerando reservas em dois hotéis durante a passagem da comitiva pela cidade.

O valor, entretanto, não deve ser confundido com o custo total da viagem presidencial. Até o momento, não há, nas fontes oficiais consultadas, uma consolidação pública de todas as despesas de 2026 — incluindo passagens, diárias, transporte, segurança, logística e outros serviços.

R$ 3,23 milhões somente em hospedagem

Segundo os valores divulgados a partir de informações sobre as reservas, foram registrados:

  • Grand Hyatt New York: R$ 2.217.655,99;
  • Park Lane: R$ 1.014.867,56;
  • Total das duas reservas: R$ 3.232.523,55.

Também foi divulgado um gasto de aproximadamente R$ 8,7 mil com cavaletes utilizados para controle de trânsito nas proximidades da estrutura utilizada pela delegação.

As informações disponíveis, contudo, não permitem afirmar que os R$ 2,21 milhões do Grand Hyatt correspondam exclusivamente à hospedagem pessoal do presidente.

Há, inclusive, uma divergência relevante nas informações divulgadas: reportagens baseadas no acompanhamento da viagem registraram que Lula utilizou a residência oficial da representação brasileira junto à ONU, onde também realizou compromissos. Por isso, o valor do Grand Hyatt deve ser tratado jornalisticamente como despesa de hospedagem vinculada à estrutura da delegação, e não automaticamente como uma conta pessoal do presidente.

Pelo menos 73 pessoas autorizadas a viajar

Outro ponto levantado durante a viagem foi o tamanho da delegação.

Consulta realizada pelo Poder360 às publicações do Diário Oficial da União identificou 73 pessoas nominalmente autorizadas a viajar para Nova York durante o período da Assembleia Geral.

O próprio levantamento ressalva que o número não necessariamente corresponde ao total definitivo da comitiva. Dois despachos relacionados ao Gabinete Pessoal e à Assessoria Especial não informavam a quantidade de funcionários que viajariam, e novos nomes ainda poderiam ser incluídos.

Entre os integrantes oficialmente identificados estavam quatro ministros: Mauro Vieira, das Relações Exteriores; Esther Dweck, da Gestão; Luiz Eloy Terena, dos Povos Indígenas; e Rachel Barros, da Igualdade Racial.

A primeira-dama Janja Lula da Silva também acompanhou o presidente na viagem.

Viagem foi mais curta que em anos anteriores

Lula deixou o Brasil no domingo, 20 de setembro de 2026, para participar da abertura da Assembleia Geral da ONU. O discurso ocorreu na terça-feira, dia 22, quando o presidente também cumpriu compromissos bilaterais antes do retorno ao Brasil.

De acordo com o levantamento do Poder360, a viagem deste ano foi planejada de forma mais curta em razão do calendário eleitoral brasileiro.

A participação brasileira na ONU, porém, não se restringiu às atividades do presidente. Ministros e integrantes do governo permaneceram em Nova York para compromissos relacionados à Semana de Alto Nível da Assembleia Geral.

O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, por exemplo, informou oficialmente que o ministro Wellington Dias participou de agendas entre os dias 21 e 23 de setembro, incluindo reuniões relacionadas à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.

Governo mantém dados de viagens disponíveis para consulta

O próprio governo federal informa que as despesas com diárias e passagens da Presidência da República podem ser consultadas no Portal da Transparência, com possibilidade de filtragem por período, pessoa, órgão, tipo de viagem e situação da despesa. Também é possível baixar os dados disponíveis.

A Casa Civil informa ainda que os dados referentes às despesas do mandato presidencial são consolidados após a conclusão das prestações de contas, podendo ocorrer ajustes posteriores.

Isso significa que os números relacionados à viagem de setembro ainda podem sofrer alterações ou receber novos lançamentos à medida que os processos administrativos sejam registrados e liquidados.

O que já é possível afirmar

Com as informações disponíveis até 24 de setembro de 2026, é possível afirmar que:

• R$ 3,232 milhões foram divulgados como despesas de hospedagem em dois hotéis relacionados à estrutura da delegação brasileira em Nova York.

• Cerca de R$ 8,7 mil foram divulgados como gasto adicional com cavaletes para controle de trânsito.

• Pelo menos 73 pessoas foram nominalmente autorizadas a viajar para Nova York, segundo levantamento feito a partir do Diário Oficial da União.

• O número de 73 não representa necessariamente toda a delegação, porque havia autorizações sem quantitativo definido e a lista poderia receber novos nomes.

• O valor de R$ 3,23 milhões não representa, neste momento, o custo total da viagem presidencial.

• Ainda não estão consolidadas, nas fontes oficiais consultadas, todas as despesas da missão de 2026, como passagens, diárias, transporte, segurança e demais serviços.

Comparação com 2025

Dados divulgados em 2026 pelo Metrópoles, com base em documentação obtida junto ao Ministério das Relações Exteriores, mostram que a viagem de Lula a Nova York para a Assembleia Geral da ONU em setembro de 2025 teve despesas de pelo menos R$ 6 milhões, considerando hospedagem, aluguel de carros e salas.

Outro levantamento, também baseado em documentos do Itamaraty, apontou que as viagens internacionais do presidente e de sua delegação em 2025 somaram aproximadamente R$ 19,9 milhões somente em hospedagem, distribuídos por 16 países. Na viagem à ONU daquele ano, o gasto com hospedagem teria chegado a R$ 2,92 milhões.

A comparação, porém, precisa ser feita com cautela: os valores de 2025 abrangem despesas já consolidadas, enquanto os dados de 2026 ainda estão em processo de registro e prestação de contas.

Transparência será necessária para fechar a conta

O valor de R$ 3,23 milhões em hospedagem representa, portanto, uma parcela relevante das despesas conhecidas da missão presidencial de 2026, mas não permite afirmar, neste momento, quanto a viagem inteira custou aos cofres públicos.

A apuração definitiva dependerá da consolidação dos registros no Portal da Transparência, no Painel de Viagens e nos documentos de execução orçamentária dos órgãos envolvidos.

Para o acompanhamento jornalístico, a diferença é importante: R$ 3,23 milhões é o valor divulgado para hospedagem, e não o custo total da viagem de Lula à ONU em 2026.

Fontes consultadas: Portal da Transparência e órgãos do Governo Federal; Diário Oficial da União; Ministério das Relações Exteriores; Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social; levantamentos jornalísticos baseados em documentos públicos.