Brasil entra na primavera com onda de calor e previsão de temperaturas acima da média

INMET prevê temperaturas que podem passar dos 40°C neste fim de semana; para outubro, órgão aponta calor acima da média em grande parte do país e chuva abaixo do normal em áreas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste

O Brasil começa os primeiros dias da primavera de 2026 sob influência de uma nova onda de calor e diante de um cenário climático que exige atenção para os próximos meses. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) prevê temperaturas elevadas em grande parte do país e emitiu aviso vermelho para uma onda de calor que começa neste sábado (26) e deve atingir áreas do Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

Segundo o INMET, o episódio pode provocar temperaturas máximas pelo menos 5°C acima da média climatológica durante cinco dias consecutivos ou mais, critério utilizado para caracterizar uma onda de calor. Em Cuiabá (MT), os termômetros podem chegar a 41°C no domingo (27) e na segunda-feira (28). Campo Grande (MS) pode atingir 40°C na segunda-feira.

O calor também será significativo em outras regiões. A previsão para o período entre sábado e segunda-feira indica temperaturas próximas ou superiores a 40°C em partes do Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

Calor deve continuar acima da média em outubro

O episódio previsto para os próximos dias não deve ser confundido com uma previsão de calor extremo contínuo durante todo o período.

O prognóstico climático do INMET para outubro, entretanto, aponta temperaturas acima da média em grande parte do Brasil. Os maiores desvios são esperados no Centro-Oeste e Sudeste, onde algumas áreas podem registrar médias superiores a 2°C em relação à climatologia de outubro.

Na Região Norte, os desvios podem chegar a 2°C em áreas do Pará e do Acre. No Nordeste, grande parte do MATOPIBA pode apresentar temperaturas até 1,5°C acima da média, enquanto outras áreas da região podem registrar até 1°C acima da climatologia.

Isso significa que o país poderá enfrentar novos episódios de calor durante a primavera, embora não seja possível afirmar que haverá uma onda de calor contínua ou que todas as regiões experimentarão as mesmas condições.

Chuvas terão comportamento diferente entre as regiões

O cenário de precipitação também será bastante desigual.

Para outubro, o INMET prevê chuva acima da média em áreas do Sul, Mato Grosso do Sul, São Paulo, sul e sudeste de Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Em contrapartida, são esperados volumes abaixo da média em setores do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

No Sul, o excesso de chuva merece atenção, especialmente no Rio Grande do Sul. O prognóstico indica acumulados que podem superar a média climatológica em até 200 milímetros em algumas áreas do estado.

Esse contraste mostra que o cenário climático não pode ser resumido simplesmente como “o Brasil ficará mais quente e seco”. Diferentes regiões poderão enfrentar problemas distintos: calor e déficit de chuva em algumas áreas e chuvas intensas e risco de eventos severos em outras.

E a Paraíba?

Para a Paraíba, a previsão merece uma leitura específica.

No prognóstico de outubro, o INMET não aponta uma situação uniforme de seca para todo o estado. Os acumulados de chuva aparecem próximos da climatologia em áreas da Paraíba, enquanto outras partes do Nordeste apresentam previsão de volumes abaixo da média.

Já para os próximos dias, o instituto prevê tempo ensolarado e quente no oeste da Paraíba, além de condições de calor em outras áreas do interior nordestino.

Por isso, para cidades do Sertão paraibano, como Pombal e municípios da região, a avaliação mais segura deve ser feita acompanhando as atualizações de curto prazo. Uma previsão climática para um mês ou uma estação indica tendências gerais e não determina exatamente como estará o tempo em uma cidade específica em determinado dia.

El Niño aumenta a complexidade do cenário

Outro elemento importante da previsão é o El Niño.

O Painel El Niño 2026-2027, formado por INPE, INMET, CEMADEN, ANA e outras instituições federais, aponta mais de 90% de probabilidade de ocorrência de um episódio considerado muito forte no trimestre setembro-outubro-novembro. Os modelos também indicam que o fenômeno poderá permanecer até pelo menos o início de 2027.

O CEMADEN também aponta que os modelos indicam a possibilidade de um El Niño muito forte e destaca que seus impactos podem ser diferentes conforme a região brasileira. Enquanto determinadas áreas podem enfrentar déficit de chuva, aumento da seca e maior risco de incêndios, outras, principalmente no Sul, podem registrar chuva intensa e risco de inundações.

O que o El Niño pode significar para o Brasil?

O fenômeno El Niño corresponde ao aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial e pode modificar padrões atmosféricos que influenciam chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.

No Brasil, seus efeitos não são iguais em todo o território.

O prognóstico dos órgãos oficiais aponta, de maneira geral, tendência de temperaturas elevadas durante a primavera e possibilidade de diferenças importantes na distribuição das chuvas.

O CEMADEN informou ainda que, no início de setembro, havia sinais de El Niño no Pacífico Equatorial e que os modelos indicavam possibilidade de manutenção do fenômeno até o primeiro semestre de 2027.

Calor também pode aumentar ocorrência de tempestades

Um dos aspectos menos intuitivos da previsão é que calor elevado não significa necessariamente ausência de chuva.

Na primavera, o aumento da temperatura e da umidade pode favorecer a formação rápida de tempestades. O INMET destaca a possibilidade de episódios de chuva forte, rajadas de vento, descargas atmosféricas e granizo em determinadas situações.

No Centro-Sul, a passagem de frentes frias encontrando uma atmosfera mais quente e úmida pode produzir mudanças rápidas nas condições do tempo.

Por isso, uma mesma semana pode registrar calor intenso, seguida de tempestades severas e queda acentuada de temperatura em determinadas regiões.

Atenção para saúde, agricultura e recursos hídricos

Temperaturas persistentemente elevadas podem aumentar o desconforto térmico e a demanda por água.

Na agricultura, o cenário exige atenção ao momento do plantio e à disponibilidade de umidade no solo. O INMET destaca que a irregularidade das chuvas combinada com temperaturas elevadas pode exigir maior cuidado no planejamento das culturas de verão.

Para a população, os períodos de calor extremo exigem acompanhamento dos alertas meteorológicos e cuidados adicionais, principalmente para crianças, idosos e pessoas que trabalham expostas ao sol.

O que esperar nas próximas semanas?

A tendência apresentada pelos órgãos oficiais pode ser resumida em quatro pontos:

1. Calor: temperaturas acima da média são esperadas em grande parte do Brasil durante outubro.

2. Onda de calor: o primeiro episódio da primavera começa neste fim de semana e atinge principalmente áreas do Centro-Sul.

3. Chuvas irregulares: algumas regiões terão chuva acima da média, enquanto outras poderão registrar déficit.

4. El Niño: o fenômeno deverá continuar influenciando o padrão climático durante os próximos meses.

O próprio INMET ressalta que previsões meteorológicas podem ser atualizadas conforme novos dados são incorporados aos modelos. Por isso, a população deve acompanhar os avisos oficiais, especialmente durante episódios de calor extremo ou tempestades.

Paraíba deve acompanhar as atualizações

Para a Paraíba, o cenário não indica uma situação única para todo o estado. A previsão para outubro aponta volumes próximos da climatologia em áreas paraibanas, enquanto as temperaturas tendem a permanecer elevadas.

No Sertão, portanto, a recomendação editorial é acompanhar as previsões de curto prazo para cada município, sem generalizar o prognóstico nacional para toda a região.

A primavera de 2026 começa, assim, com dois cenários simultâneos: calor acima da média em grande parte do país e possibilidade de eventos extremos de chuva em determinadas regiões. O comportamento do El Niño será um dos fatores monitorados pelos órgãos meteorológicos nos próximos meses.

Fontes: Instituto Nacional de Meteorologia (INMET); Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE); Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN).