Senado entra na disputa: candidatos iniciam campanha na Paraíba

João Azevêdo, Veneziano, Nabor, Queiroga e André Gadelha estão entre os nomes que concentram as atenções na corrida por duas vagas

A disputa pelas duas vagas da Paraíba no Senado Federal entrou oficialmente em uma nova fase neste domingo (16), com o início da campanha eleitoral de 2026. Depois de meses de articulações, alianças e pré-campanha, os candidatos passaram a poder pedir votos, realizar atos públicos e utilizar propaganda eleitoral na internet, dentro das regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.

A Paraíba terá duas vagas em disputa para o Senado, e o eleitor poderá escolher dois nomes. Ao todo, dez candidaturas foram registradas para a corrida: Adriano Trajano (PCO), André Gadelha (MDB), Marcelo Queiroga (PL), João Azevêdo (PSB), João Batista (UP), Major Fábio (Novo), Nabor Wanderley (Republicanos), Rinaldo Júnior (DC), Rosilene Santana (UP) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB).

João Azevêdo aposta na continuidade do projeto governista

Ex-governador da Paraíba, João Azevêdo chega à campanha pelo Senado como um dos nomes mais bem posicionados nos levantamentos realizados antes do início oficial da corrida eleitoral.

O candidato do PSB integra a chapa governista ao lado de Nabor Wanderley, enquanto Lucas Ribeiro disputa a reeleição ao Governo do Estado.

Na véspera do início oficial da campanha, João participou de uma plenária em João Pessoa e reforçou a defesa de um mandato com perfil municipalista. O ex-governador afirmou que pretende atuar no Senado em parceria com Lucas Ribeiro e Nabor para buscar investimentos para os municípios paraibanos.

João teve sua candidatura registrada no TSE no dia 13 de agosto e concorrerá com o número 400. Seus suplentes são o deputado estadual Chico Mendes e o engenheiro Roberto Franca.

Nabor inicia campanha com discurso voltado aos municípios

O ex-prefeito de Patos Nabor Wanderley (Republicanos) também começou oficialmente neste domingo sua caminhada rumo ao Senado.

O candidato adotou como uma das principais marcas de sua campanha a defesa dos municípios. Em material divulgado no primeiro dia, Nabor se apresentou como o candidato que pretende levar para Brasília a experiência adquirida na administração municipal, com atenção para áreas como saúde, educação, infraestrutura, assistência social, emprego e desenvolvimento.

Durante a mobilização de campanha em Campina Grande, Nabor afirmou que pretende atuar em conjunto com Lucas Ribeiro e João Azevêdo. A estratégia é apresentar a candidatura como parte de um projeto político integrado para o Governo e o Senado.

O primeiro dia, porém, também foi marcado por movimentações políticas em torno da candidatura. O presidente da Câmara Municipal de João Pessoa, Dinho Dowsley, anunciou apoio a Nabor como seu segundo voto para o Senado durante evento no Esporte Clube Cabo Branco. O gesto ocorreu na presença de Veneziano Vital do Rêgo e André Gadelha, que fazem parte da chapa de Cícero Lucena ao Governo.

Veneziano tenta renovar o mandato

O senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) parte para a campanha em busca da reeleição.

O emedebista integra a chapa encabeçada por Cícero Lucena na disputa pelo Governo da Paraíba, ao lado de André Gadelha, que também concorre ao Senado.

No início da campanha, Veneziano manteve a estratégia de percorrer diferentes regiões do Estado e apresentar sua experiência no Senado como um dos principais argumentos eleitorais. Antes da largada oficial, o candidato vinha recebendo manifestações de apoio de prefeitos e lideranças municipais.

A movimentação deste domingo também mostrou que a composição das alianças não necessariamente significa fidelidade absoluta entre os votos para o Senado. O anúncio de Dinho Dowsley, que declarou Veneziano como primeiro voto e Nabor como segundo, é um exemplo do chamado voto cruzado, fenômeno que pode ganhar força durante a campanha.

Marcelo Queiroga representa a oposição bolsonarista

Ex-ministro da Saúde do governo Jair Bolsonaro, Marcelo Queiroga (PL) disputa uma das duas vagas ao Senado pela Paraíba e representa o principal nome do campo bolsonarista na corrida paraibana.

Queiroga terá o número 222 nas urnas. Sua candidatura foi registrada oficialmente no início de agosto.

O candidato deverá explorar durante a campanha a associação com o ex-presidente Jair Bolsonaro e o discurso de oposição ao grupo político que atualmente controla o Governo da Paraíba.

Antes do início oficial da campanha, Queiroga participou de articulações nacionais do PL e esteve em Brasília ao lado de outros candidatos ao Senado apoiados pelo presidenciável Flávio Bolsonaro. O encontro serviu para gravação de materiais eleitorais e alinhamento de estratégias.

A primeira agenda de sabatinas com os candidatos ao Senado, organizada pelo Sistema Pop de Comunicação, começa justamente nesta segunda-feira (17), com Queiroga. A programação prevê posteriormente entrevistas com André Gadelha, Major Fábio, Veneziano, João Azevêdo e Nabor.

André Gadelha aposta na parceria com Veneziano

O empresário e ex-prefeito de Sousa André Gadelha (MDB) disputa uma das cadeiras ao Senado na chapa de Cícero Lucena.

Gadelha tem defendido a parceria com Veneziano e afirma que os dois candidatos vêm ampliando apoios durante a pré-campanha. A estratégia do MDB é apresentar a dupla como uma alternativa para o Senado dentro do projeto liderado por Cícero.

No primeiro dia oficial da campanha, André também esteve envolvido nas articulações políticas da chapa. Durante evento em João Pessoa, Dinho Dowsley anunciou Nabor como seu segundo voto, mesmo mantendo Veneziano como primeira opção para o Senado. O episódio expôs a complexidade das alianças e a possibilidade de o eleitor separar seus dois votos.

Pesquisa mostra liderança de João, mas disputa continua aberta

Os números disponíveis antes do início oficial da campanha colocam João Azevêdo na liderança entre os principais nomes.

Pesquisa TDL realizada entre 4 e 7 de julho, com 1.200 entrevistas presenciais em municípios de todas as regiões da Paraíba, apontou:

CandidatoIntenção de voto
João Azevêdo (PSB)53%
Veneziano Vital do Rêgo (MDB)34%
Nabor Wanderley (Republicanos)23%
Marcelo Queiroga (PL)13%
André Gadelha (MDB)8%
Avenzoar Arruda (PSOL)2%

O levantamento considera a soma do primeiro e do segundo voto, portanto os percentuais não devem ser somados para representar uma intenção de voto tradicional de primeiro turno. A pesquisa ouviu 1.200 eleitores, tem margem de erro de 2,8 pontos percentuais e foi registrada no TRE-PB sob o número PB-02357/2026.

Outro levantamento, do Real Time Big Data, realizado em 25 e 26 de maio com 1.600 entrevistados, também apontou João Azevêdo na primeira posição, com 32%, seguido por Veneziano, com 25%, Marcelo Queiroga, com 13%, e Nabor Wanderley, com 9%.

A diferença entre as pesquisas reforça uma cautela importante: os levantamentos foram realizados em períodos diferentes e não representam uma previsão do resultado da eleição. Além disso, como cada eleitor terá dois votos para o Senado, a disputa possui dinâmica diferente daquela observada na eleição para governador ou presidente.

A eleição ainda está no começo

O primeiro dia de campanha mostra uma disputa dividida em três grandes blocos.

De um lado, João Azevêdo e Nabor Wanderley aparecem associados ao grupo governista de Lucas Ribeiro. De outro, Veneziano e André Gadelha integram a composição liderada por Cícero Lucena. Marcelo Queiroga ocupa o espaço da oposição bolsonarista.

Mas a configuração das alianças não significa necessariamente que os eleitores votarão nas chapas completas. O anúncio de apoios cruzados registrado neste domingo demonstra que a eleição para o Senado poderá ser decidida por combinações diferentes de primeiro e segundo voto.

A partir de agora, os candidatos terão pouco mais de um mês e meio para ampliar a presença no interior, consolidar alianças, apresentar propostas e disputar o eleitor ainda indeciso.

O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro de 2026. Na Paraíba, além de presidente e governador, o eleitor escolherá dois senadores, 12 deputados federais e 36 deputados estaduais.

A corrida pelo Senado, portanto, começa oficialmente neste domingo, mas a disputa real pela preferência do eleitor paraibano está apenas começando.