
Lula concentra agenda institucional no Amapá, enquanto Flávio Bolsonaro, Caiado, Zema, Renan Santos e outros presidenciáveis ampliam a presença pública no segundo dia da corrida pelo Palácio do Planalto
A campanha eleitoral para a Presidência da República entrou nesta segunda-feira (17) em seu segundo dia oficial, com os principais candidatos distribuindo suas agendas entre São Paulo, Minas Gerais, Brasília e Amapá. O início da disputa ocorre em um ambiente de forte polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), enquanto candidatos como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) tentam ocupar espaço como alternativas no campo da oposição.
A propaganda eleitoral está oficialmente liberada desde domingo (16), conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A partir dessa data, candidatos podem realizar atos de campanha, pedir votos nas ruas e na internet, fazer carreatas, caminhadas, comícios e distribuir material de propaganda dentro das regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral. O horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão, entretanto, somente começa em 28 de agosto.
Lula leva agenda presidencial ao Amapá
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve nesta segunda-feira uma agenda oficial no Amapá, onde visitou um navio-sonda da Petrobras que realiza atividades de exploração na chamada Margem Equatorial, na região da Foz do Amazonas.
Durante a visita, Lula defendeu a exploração de petróleo na região e afirmou que a descoberta pode representar um importante potencial econômico para o país. O presidente também destacou a necessidade de combinar a exploração dos recursos naturais com medidas de proteção ambiental e transição energética.
A atividade foi classificada como agenda institucional da Presidência da República, e não como ato eleitoral de campanha. A distinção é importante porque Lula, na condição de presidente e candidato à reeleição, mantém simultaneamente compromissos de governo e atividades eleitorais.
A viagem também teve forte componente político. Lula esteve acompanhado de autoridades locais e reforçou a aproximação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, além de tratar a exploração da Margem Equatorial como tema relacionado à soberania energética brasileira.
Flávio Bolsonaro muda roteiro em Minas Gerais
Principal adversário de Lula nas pesquisas atuais, Flávio Bolsonaro teve uma alteração importante na agenda do segundo dia de campanha.
O candidato do PL havia programado uma motociata em Juiz de Fora (MG), cidade que ganhou relevância na história eleitoral da família Bolsonaro depois do atentado sofrido por Jair Bolsonaro durante a campanha de 2018.
O ato foi cancelado por causa das condições meteorológicas que impediram o deslocamento aéreo do candidato. A equipe de campanha manteve, entretanto, a programação da noite em Belo Horizonte, onde Flávio participou do lançamento da candidatura de Flávio Roscoe ao governo de Minas Gerais.
A escolha de Minas Gerais é estrategicamente relevante. O estado possui o segundo maior eleitorado do país e tradicionalmente é considerado importante para a definição das eleições presidenciais.
Flávio iniciou oficialmente sua campanha no domingo, no Rio de Janeiro, em um ato realizado em Copacabana. A segurança pública apareceu como um dos principais temas de seu discurso de largada.
Caiado tenta ocupar espaço como alternativa
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), iniciou sua campanha no domingo em municípios do Entorno do Distrito Federal e, no segundo dia, levou a agenda para São Paulo.
Na capital paulista, Caiado participou do Ciclo Brasil de Ideias – Especial Eleições, promovido pelo Grupo VOTO, e posteriormente esteve na 27ª Conferência Anual do Santander, evento que reuniu diferentes presidenciáveis e representantes do setor empresarial e financeiro.
O candidato procura se apresentar como uma alternativa de oposição tanto a Lula quanto a Flávio Bolsonaro. Segurança pública é um dos eixos centrais de sua campanha.
Nesta segunda-feira, Caiado também endureceu as críticas ao governo Lula ao tratar das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Ele classificou como “estupidez” uma eventual retaliação brasileira às tarifas norte-americanas e defendeu uma política externa mais técnica.
Zema aposta no eleitorado empresarial
Romeu Zema (Novo) também concentrou suas atividades em São Paulo.
O governador mineiro participou da 27ª Conferência Anual do Santander, às 14h20, e tinha ainda previsto jantar anual do Centro de Liderança Pública (CLP), às 18h30.
A estratégia coloca Zema em contato direto com empresários, investidores e representantes do mercado financeiro em um momento no qual sua candidatura busca ampliar o espaço do Novo na disputa presidencial.
No primeiro dia de campanha, Zema iniciou sua agenda eleitoral em Minas Gerais e adotou discurso fortemente voltado para segurança pública, além de críticas ao governo Lula e ao Supremo Tribunal Federal.
Renan Santos busca espaço em São Paulo
O candidato do Missão, Renan Santos, também esteve em São Paulo. A agenda incluiu participação na Conferência Anual do Santander e, à noite, uma sabatina promovida pelo SBT News e pelo SBT Brasil.
A estratégia é semelhante à de outros candidatos de oposição: aproveitar o início da campanha para apresentar propostas diretamente a setores empresariais e ao eleitorado paulista, considerado fundamental para qualquer candidatura competitiva à Presidência.
Augusto Cury aposta no debate de ideias
Augusto Cury (Avante) iniciou o dia com atividades internas de organização da campanha em São Paulo e, no final da tarde, participou de uma sabatina em Brasília.
O candidato representa uma candidatura de perfil diferente dos principais nomes polarizados da disputa, buscando explorar temas relacionados à educação, saúde emocional e desenvolvimento humano. A agenda desta segunda-feira incluiu alinhamentos internos e exposição pública em entrevista.
Outros candidatos também movimentaram a campanha
A corrida presidencial reúne um número maior de candidaturas. Nesta segunda-feira, Hertz Dias (PSTU), por exemplo, participou de panfletagem em Jacareí, no interior de São Paulo, e depois concedeu entrevista a um podcast.
Wilson Grassi (Democrata) teve reuniões com o comitê de campanha e com a equipe de marketing.
Já candidatos como Edmilson Costa (PCB), Clariana Barão (DC), Pablo Marçal (PRTB), Rui Costa Pimenta (PCO) e Samara Martins (UP) não tinham, até o fechamento de levantamentos publicados nesta segunda-feira, agendas públicas de campanha divulgadas.
Pesquisa mostra disputa acirrada logo no início
O segundo dia de campanha também começou sob o impacto de uma nova pesquisa BTG/Nexus.

O levantamento divulgado nesta segunda-feira aponta Lula com 41% das intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro, com 36%. Ronaldo Caiado aparece com 5%, enquanto Renan Santos e Romeu Zema registram 4% cada.
No cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, os dois aparecem tecnicamente empatados: 47% para Lula contra 44% para Flávio, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. A pesquisa ouviu 2.003 eleitores entre 14 e 16 de agosto e foi registrada no TSE sob o número BR-03317/2026.
A Reuters também destacou a proximidade entre Lula e Flávio no cenário de segundo turno, apontando uma disputa presidencial potencialmente apertada e marcada pela polarização entre os dois campos políticos.
Uma campanha que começa sob forte polarização
Os primeiros dois dias da campanha indicam que a eleição presidencial de 2026 deverá ser marcada por três movimentos simultâneos.
De um lado, Lula tenta utilizar a condição de presidente para apresentar resultados e defender sua agenda de governo, mantendo distância formal entre compromissos institucionais e atos eleitorais.
De outro, Flávio Bolsonaro procura consolidar a herança política do bolsonarismo, utilizando símbolos associados à trajetória eleitoral do pai e concentrando sua campanha em temas como segurança pública.
Entre os dois polos, candidatos como Caiado, Zema e Renan Santos tentam construir alternativas eleitorais, buscando principalmente o eleitorado de centro-direita e o segmento que rejeita tanto o governo Lula quanto uma candidatura diretamente identificada com o bolsonarismo.
A campanha segue até 3 de outubro, véspera do primeiro turno, marcado para 4 de outubro de 2026. O eventual segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.
O segundo dia, portanto, ainda não define tendências eleitorais, mas já revela as estratégias que deverão dominar as próximas semanas: Lula apostando na agenda de governo, Flávio na mobilização bolsonarista e os demais candidatos tentando conquistar espaço antes que a disputa se concentre definitivamente nos dois líderes das pesquisas.



