
Ex-prefeita de Pombal e ex-deputada estadual disputa vaga na Câmara pelo PP enquanto responde a ação penal relacionada ao caso do Hospital Padre Zé
A ex-prefeita de Pombal e ex-deputada estadual Pollyanna Werton está oficialmente inscrita na disputa por uma vaga de deputada federal pela Paraíba nas eleições de 2026. Entretanto, apesar de o pedido de registro ter sido apresentado e a candidatura constar no sistema eleitoral, a Justiça Eleitoral ainda não julgou o registro.
Os dados mais recentes disponíveis no sistema de candidaturas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que Yasnaia Pollyanna Werton Dutra, nome de urna Pollyanna, concorre pelo Progressistas (PP), com o número 1133. A situação do registro aparece como “aguardando julgamento”.
A candidatura está vinculada à Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas. O processo de candidatura registrado no sistema eleitoral é o 06005276620266150000, enquanto o registro da federação aparece no processo 06005232920266150000.
Candidatura está cadastrada, mas ainda não é considerada apta
Um ponto importante para a compreensão do caso é a diferença entre ter o pedido de registro apresentado e ter a candidatura deferida pela Justiça Eleitoral.
Segundo os dados técnicos do DivulgaCandContas reproduzidos a partir da base do TSE, Pollyanna aparece como cadastrada e concorrendo na totalização, mas o campo referente à aptidão ainda não foi confirmado.
O sistema registra:
- Situação do pedido: aguardando julgamento;
- Situação cadastral: cadastrado;
- Situação na totalização: concorrendo;
- Candidato apto: não;
- Candidato inapto: não;
- Candidatura substituída: não;
- Candidatura fechada: não.
Na prática, isso significa que Pollyanna pode fazer campanha enquanto aguarda a análise judicial do pedido, mas ainda não existe uma decisão definitiva da Justiça Eleitoral reconhecendo o registro como deferido.
A situação também pode mudar após o julgamento do processo.
Processo do caso Padre Zé aumenta atenção sobre o registro
O registro eleitoral ocorre em um momento de forte exposição jurídica para a candidata.
Em 27 de maio de 2026, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça da Paraíba recebeu denúncia contra Pollyanna Werton, o ex-secretário estadual Tibério Limeira, o padre Egídio de Carvalho e outros investigados no âmbito da investigação relacionada ao Hospital Padre Zé e ao programa Prato Cheio. Com o recebimento da denúncia, os acusados passaram formalmente à condição de réus.
Segundo o Ministério Público, a investigação apura a suposta existência de uma organização criminosa relacionada ao desvio de recursos destinados ao Hospital Padre Zé, ao Instituto São José e à Ação Social Arquidiocesana. Entre as acusações apresentadas pelo Gaeco estão supostos pagamentos indevidos relacionados a empresas contratadas para fornecer produtos e refeições.
As acusações, contudo, ainda são objeto de processo judicial e não equivalem a uma condenação. Pollyanna é ré no processo, mas não pode ser tratada como culpada antes de uma eventual decisão condenatória definitiva.
Ser ré não significa automaticamente estar inelegível
Esse é um dos pontos mais importantes da situação eleitoral.
O simples fato de Pollyanna responder a uma ação penal não significa automaticamente que ela esteja impedida de disputar a eleição. A análise da elegibilidade depende da legislação eleitoral e das circunstâncias específicas do processo.
No caso atual, os dados disponíveis no sistema eleitoral não indicam Pollyanna como candidata inapta. Pelo contrário: o registro está “aguardando julgamento”, sem motivo específico de inaptidão informado no sistema consultado.
Assim, não seria correto afirmar que a candidata teve o registro negado ou que está inelegível.
Da mesma forma, também não é correto afirmar neste momento que a Justiça Eleitoral já deferiu sua candidatura.
Certidões foram apresentadas ao TSE
Outro dado que consta no cadastro eleitoral é que a candidatura apresentou documentos e certidões vinculados ao registro.
O sistema lista, entre outros documentos, certidões criminais da Justiça Estadual e da Justiça Federal, tanto de primeiro quanto de segundo grau. Os documentos fazem parte do conjunto apresentado pela candidatura durante o processo de registro.
A apresentação das certidões, entretanto, não significa que o registro esteja automaticamente deferido. A Justiça Eleitoral ainda precisa analisar o conjunto das condições de elegibilidade e eventuais causas de inelegibilidade.
Patrimônio declarado e dados da candidatura
De acordo com os dados eleitorais disponíveis, Pollyanna declarou patrimônio de aproximadamente R$ 1,086 milhão.
Entre os bens informados estão dois apartamentos, um veículo, dinheiro em espécie e valores mantidos em contas correntes e poupanças. O limite de gastos informado para o primeiro turno é de aproximadamente R$ 3,17 milhões.
A candidata tem 49 anos, é natural de Natal (RN), possui ensino superior completo e declarou como ocupação “veterinário” no registro eleitoral.
O que pode acontecer agora
O próximo passo é o julgamento do pedido de registro pela Justiça Eleitoral.
Até que haja uma decisão, Pollyanna permanece em uma situação intermediária: o pedido foi protocolado e a candidatura está cadastrada, mas ainda não recebeu o reconhecimento judicial definitivo de aptidão.
Caso o registro seja deferido, a candidatura estará formalmente apta. Se houver indeferimento, a defesa poderá utilizar os recursos previstos na legislação eleitoral, e a situação poderá permanecer em discussão nas instâncias superiores enquanto o processo não for definitivamente encerrado.
Por isso, a informação mais precisa neste momento é:
Pollyanna Werton é candidata registrada a deputada federal pelo PP, número 1133, mas seu pedido de registro ainda aguarda julgamento da Justiça Eleitoral.
Situação atual
A consulta realizada em 17 de agosto de 2026 mostra que o registro permanece como “aguardando julgamento”. Não há, nos dados técnicos consultados, indicação de que a candidatura tenha sido declarada inapta ou substituída.
O caso ganha relevância porque a candidata disputa uma vaga na Câmara dos Deputados enquanto responde a uma ação penal relacionada à investigação do Hospital Padre Zé. O processo criminal e o processo de registro eleitoral são procedimentos distintos, e caberá à Justiça Eleitoral decidir sobre a situação da candidatura.
Até o momento, portanto, Pollyanna Werton pode fazer campanha, mas seu registro ainda não foi julgado.



