Planeta registra sequência de fortes terremotos em apenas dois dias

Uma sequência de terremotos de grande magnitude voltou a chamar a atenção da comunidade científica e acendeu o alerta para a intensa atividade tectônica registrada em diferentes regiões do planeta. Nas últimas 48 horas, os eventos mais graves ocorreram na Venezuela, enquanto um novo tremor também foi registrado no Afeganistão.

O episódio mais devastador aconteceu na última quarta-feira (24), quando dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 atingiram o norte da Venezuela com apenas 39 segundos de diferença. Os abalos provocaram o colapso de centenas de edifícios, deixaram milhares de feridos e mobilizaram equipes internacionais de resgate. Autoridades continuam contabilizando vítimas enquanto réplicas seguem sendo registradas na região.

Mesmo após os fortes abalos, um novo terremoto de magnitude 4,9 voltou a ser sentido na sexta-feira, reforçando que a região permanece em intensa atividade sísmica. Especialistas explicam que tremores secundários, conhecidos como réplicas, podem continuar ocorrendo durante semanas ou até meses após um grande terremoto.

Neste sábado, outro forte terremoto, de magnitude 6,1, atingiu a região montanhosa de Hindu Kush, no Afeganistão. O fenômeno ocorreu em uma área historicamente conhecida por intensa movimentação das placas tectônicas, sendo monitorado por centros sismológicos internacionais.

Por que tantos terremotos estão acontecendo?

Segundo geólogos, os terremotos são consequência da movimentação constante das placas tectônicas que formam a superfície terrestre. Essas placas se deslocam alguns centímetros por ano e acumulam enormes tensões ao longo das falhas geológicas. Quando essa energia é liberada, ocorre o terremoto.

As áreas mais suscetíveis são aquelas localizadas sobre limites entre placas tectônicas, como:

  • Círculo de Fogo do Pacífico;
  • Cordilheira dos Andes;
  • Região do Caribe;
  • Himalaia;
  • Mediterrâneo Oriental.

A Venezuela, por exemplo, encontra-se próxima ao limite entre as placas do Caribe e da América do Sul, uma das regiões mais ativas da América Latina.

Existe relação entre terremotos em diferentes países?

A resposta dos especialistas é não.

Embora diversos terremotos possam ocorrer em um curto intervalo de tempo, não há evidências científicas de que um grande terremoto em um continente provoque outro em uma região distante. Cada evento possui características próprias e está relacionado à dinâmica geológica local.

E o Brasil? Há risco de um grande terremoto?

De acordo com especialistas brasileiros e internacionais, o Brasil está localizado no interior da Placa Sul-Americana, distante dos principais limites entre placas tectônicas.

Por isso, o país apresenta uma atividade sísmica considerada baixa quando comparada a países como Chile, Japão, Indonésia ou Turquia.

Entretanto, isso não significa ausência de terremotos.

O território brasileiro registra centenas de pequenos tremores todos os anos, normalmente com magnitudes inferiores a 4,0. A maioria sequer é percebida pela população e resulta da reativação de antigas falhas geológicas existentes na crosta terrestre.

Eventos acima de magnitude 5 são extremamente raros no Brasil e, até o momento, não existe qualquer indicação científica de que o país possa sofrer um terremoto catastrófico semelhante aos registrados recentemente na Venezuela.

Monitoramento permanente

Os terremotos em todo o planeta são monitorados continuamente por instituições como o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o Centro Sismológico Euro-Mediterrânico (EMSC) e, no Brasil, pela Rede Sismográfica Brasileira.

Especialistas ressaltam que, apesar do aumento na percepção pública causado por grandes desastres recentes, a atividade sísmica global permanece dentro do comportamento esperado para um planeta geologicamente ativo, sem qualquer evidência de um aumento anormal na frequência mundial dos terremotos.