MEGAACORDO HISTÓRICO: Irã poderá receber US$ 300 bilhões após pacto com os EUA e fim da guerra

Fundo bilionário já tem mais da metade dos recursos comprometidos e promete transformar a economia iraniana após décadas de sanções e isolamento

DUBAI/TEERÃ – Um dos maiores acordos econômicos e geopolíticos das últimas décadas está prestes a se concretizar. Estados Unidos e Irã avançaram para a assinatura de um entendimento histórico que prevê a criação de um fundo privado de investimentos de US$ 300 bilhões destinado à reconstrução e ao desenvolvimento econômico iraniano.

De acordo com informações reveladas pela agência Reuters, mais da metade desse montante já conta com compromissos assumidos por investidores e empresas internacionais, demonstrando a confiança do mercado em uma possível retomada da estabilidade na região.

O chamado Fundo de Reconstrução e Desenvolvimento integra o acordo-quadro negociado entre Washington e Teerã após meses de tensão militar que culminaram em confrontos envolvendo forças americanas, israelenses e iranianas. O objetivo é impulsionar investimentos em áreas estratégicas como energia, infraestrutura, logística, transporte e indústria.

Diferentemente de uma indenização de guerra, o fundo será formado exclusivamente por recursos privados, sem aportes diretos dos governos envolvidos. Empresas dos Estados Unidos, países árabes do Golfo, Japão, Coreia do Sul, Singapura, Malásia, além de investidores da América do Sul e da África, já teriam manifestado interesse em participar do projeto.

Nova era para o Irã

Com mais de 90 milhões de habitantes, enormes reservas de petróleo e gás natural e uma das economias mais importantes do Oriente Médio, o Irã passou décadas afastado dos grandes mercados internacionais devido às sanções impostas pelos Estados Unidos e seus aliados.

Agora, a expectativa é de que o acordo represente o início de uma nova fase para o país, atraindo investimentos estrangeiros em escala inédita desde a Revolução Islâmica de 1979.

Segundo fontes ligadas às negociações, Teerã chegou a pedir inicialmente US$ 400 bilhões em compensações pelos prejuízos causados durante o conflito. A proposta foi rejeitada por Washington, levando à construção do atual modelo baseado em investimentos privados.

Petróleo e economia mundial

Além dos impactos internos para o Irã, o acordo tem potencial para influenciar toda a economia global. A reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do planeta, poderá reduzir riscos ao abastecimento energético internacional e contribuir para a estabilização dos preços do petróleo.

Analistas avaliam que o entendimento pode representar uma das maiores iniciativas de recuperação econômica do Oriente Médio no século XXI.

Recursos dependem de exigências

Apesar do anúncio, o acesso aos benefícios econômicos estará condicionado ao cumprimento de uma série de exigências por parte do governo iraniano. Entre elas estão limitações ao programa nuclear, eliminação de estoques de material enriquecido e aceitação de um rígido sistema internacional de inspeções.

O memorando inicial deverá ser assinado nos próximos dias e abrirá um período de 60 dias para a definição dos detalhes finais. Somente após a conclusão desse processo o fundo bilionário poderá ser oficialmente criado e começar a financiar projetos em território iraniano.

Caso seja implementado, o acordo poderá marcar o fim de décadas de isolamento econômico e inaugurar um novo capítulo na relação entre Estados Unidos e Irã, com reflexos diretos para o Oriente Médio e para os mercados globais.