Léo Bezerra oficializa apoio a Nabor Wanderley e muda o desenho da disputa pelo Senado na Paraíba

Prefeito de João Pessoa rompe a indefinição e anuncia Nabor como um de seus votos para o Senado; movimento amplia a presença do republicano na Capital e aprofunda o afastamento de Léo em relação a João Azevêdo

O prefeito de João Pessoa, Léo Bezerra (PSDB), oficializou nesta segunda-feira (17) seu apoio à candidatura de Nabor Wanderley (Republicanos) ao Senado Federal nas eleições de 2026. A decisão encerra meses de especulações sobre qual seria o posicionamento do gestor da Capital e provoca uma nova movimentação no tabuleiro eleitoral paraibano.

O anúncio ocorreu durante uma reunião política realizada em João Pessoa e contou com a participação de vereadores e lideranças que integram a base política do prefeito. Segundo Léo Bezerra, a escolha não foi tomada individualmente, mas após consultas dentro do grupo que o acompanha.

“Não é uma decisão de Léo, não é uma decisão do prefeito Léo, é uma decisão do nosso grupo político, ouvindo cada um deles”, afirmou o prefeito, segundo informações divulgadas após o encontro.

Apoio ganha peso pelo tamanho do eleitorado da Capital

A decisão de Léo Bezerra tem importância estratégica para Nabor porque João Pessoa concentra o maior eleitorado da Paraíba.

Dados oficiais divulgados pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) mostram que a Capital possui 585.279 eleitores aptos a votar nas eleições de 2026, número que representa quase o dobro do eleitorado de Campina Grande, segunda maior cidade do estado em número de votantes, com 304.181 eleitores.

A dimensão do eleitorado pessoense transforma o apoio do prefeito em um ativo político relevante para qualquer candidatura ao Senado. Nabor, que construiu sua trajetória política principalmente no Sertão e foi prefeito de Patos, passa agora a contar com uma sinalização explícita de uma das principais lideranças políticas da Capital.

De expectativa a apoio oficial

A aproximação entre Léo e Nabor vinha sendo construída há meses.

Em abril, Nabor já havia declarado que esperava contar com o apoio do prefeito de João Pessoa, embora reconhecesse que os dois ainda não haviam tratado diretamente do assunto. Na ocasião, o republicano destacou também que seu partido mantinha apoio legislativo e administrativo à gestão municipal.

Em junho, entretanto, Léo negou que sua participação em um evento político envolvendo Nabor representasse uma sinalização eleitoral. O prefeito afirmou que havia comparecido ao encontro por razões familiares e disse que as decisões políticas seriam tomadas posteriormente.

A definição veio somente em agosto.

Nabor passa a ocupar espaço na Capital

O apoio de Léo representa uma mudança importante para Nabor Wanderley, que disputa uma das duas vagas paraibanas ao Senado.

O próprio Nabor havia afirmado anteriormente que uma campanha para o Senado não poderia depender apenas de apoios políticos, mas também da apresentação de resultados e de propostas para o estado. O ex-prefeito de Patos tem usado sua experiência administrativa como um dos principais argumentos para a candidatura.

Com a adesão de Léo, entretanto, a campanha de Nabor ganha uma porta de entrada mais forte em João Pessoa, justamente no momento em que a disputa eleitoral começa a ganhar intensidade.

Movimento também atinge João Azevêdo

A escolha de Nabor também produz efeitos dentro do campo político que anteriormente reunia Léo Bezerra e o ex-governador João Azevêdo (PSB).

Antes da decisão, Léo era apontado como uma liderança que poderia apoiar Azevêdo na disputa pelo Senado. A oficialização do voto em Nabor representa, portanto, uma derrota política para a tentativa de Azevêdo de consolidar apoio na Capital.

A imprensa paraibana classificou o movimento como um aprofundamento do rompimento político entre Léo e João Azevêdo, que vinha sendo sinalizado desde a saída do prefeito do PSB e sua filiação ao PSDB.

O próprio Nabor, porém, procurou diminuir o potencial de conflito dentro do grupo governista. Após o anúncio, afirmou que o apoio de Léo não deveria ser interpretado como uma posição contra João Azevêdo e defendeu que os dois candidatos possam trabalhar conjuntamente pela eleição para o Senado.

A engenharia política para 2028

Outro componente importante da articulação está além da eleição de outubro.

Reportagens publicadas após o anúncio apontam que a aproximação entre Léo Bezerra e o Republicanos também envolve uma perspectiva de aliança para as eleições municipais de 2028, quando o prefeito deverá buscar a reeleição.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou a existência de uma parceria política entre o partido e o grupo de Léo. A articulação amplia o alcance do acordo para além da eleição deste ano.

Assim, o apoio a Nabor não deve ser analisado apenas como uma escolha individual de voto para o Senado. O movimento pode representar a formação de uma nova aliança política em João Pessoa, com possíveis reflexos na disputa municipal de 2028.

Veneziano, Nabor e o voto cruzado

A composição anunciada por Léo também chama atenção porque o prefeito trabalha com a lógica do voto cruzado para o Senado.

As informações divulgadas após o anúncio indicam que Léo apoia Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e Nabor Wanderley para as duas vagas ao Senado, enquanto mantém apoio a Cícero Lucena (MDB) na disputa pelo Governo da Paraíba.

A possibilidade de Léo apoiar Nabor já havia provocado reação de Veneziano. Em julho, o senador avaliou que uma eventual adesão do prefeito ao republicano poderia trazer consequências negativas para a candidatura de Cícero ao Governo e para a própria composição majoritária do MDB.

Agora, com o apoio oficializado, a composição deixa de ser hipótese e passa a fazer parte do cenário eleitoral.

Um novo capítulo na disputa

A eleição de 2026 terá duas vagas ao Senado pela Paraíba. Com 3.247.397 eleitores aptos em todo o estado, segundo o TRE-PB, a disputa deve ser marcada por alianças amplas e pela tentativa dos candidatos de ampliar suas bases para além de seus tradicionais redutos eleitorais.

Nesse cenário, o apoio de Léo Bezerra coloca Nabor Wanderley diante de uma oportunidade estratégica: transformar uma aliança política na Capital em votos efetivos em outubro.

Para João Pessoa, por sua vez, a escolha revela que o prefeito começa a construir uma posição própria no cenário estadual, mesmo tendo que administrar alianças com grupos que, em nível estadual, podem estar em campos políticos diferentes.

O que está em jogo, portanto, vai além de um segundo voto para o Senado. A decisão de Léo Bezerra redesenha alianças, enfraquece antigas composições e pode antecipar a formação dos grupos que disputarão o poder político da Paraíba nos próximos anos.