Eleições 2026: presidenciáveis intensificam articulação no início da campanha, e primeiro debate tem ausências de Lula e Flávio Bolsonaro

Brasília — 23 de agosto de 2026

A corrida pela Presidência da República entrou neste domingo (23) em uma nova etapa, com os principais candidatos ampliando a exposição pública, intensificando articulações políticas e disputando espaço no debate nacional. O primeiro debate presidencial na televisão, promovido pela Band, ocorre a partir das 20h, mas não contará com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem com o senador Flávio Bolsonaro (PL), que foram convidados pela emissora.

A eleição começou oficialmente no último domingo (16), quando os candidatos passaram a poder pedir votos de forma explícita. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro e, se houver necessidade, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro. A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão começa em 28 de agosto.

Lula mantém agenda presidencial e fica fora do primeiro debate

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou oficialmente sua campanha em São Bernardo do Campo (SP), cidade ligada à sua trajetória sindical. Desde então, sua agenda combina compromissos institucionais da Presidência com atividades de caráter político e eleitoral.

Neste domingo, Lula está em Brasília e não participa do debate da Band. A ausência já vinha sendo indicada pela campanha e foi confirmada pela emissora ao organizar a disposição dos púlpitos para o programa. O espaço reservado ao presidente permanecerá vazio.

Nos últimos dias, Lula esteve em diferentes regiões do país. Na quinta-feira (20), por exemplo, participou de ato de campanha em Natal, no Rio Grande do Norte, enquanto sua agenda presidencial também registrou compromissos oficiais.

Flávio Bolsonaro concentra discurso na segurança e articulação com Tarcísio

O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL, também não participa do debate deste domingo. A campanha informou que ele não compareceria ao encontro da Band.

No sábado (22), Flávio esteve em Barretos (SP), onde participou da Festa do Peão e apareceu ao lado do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos). Na ocasião, Tarcísio declarou que Flávio é o “herdeiro do projeto” político de Jair Bolsonaro e afirmou que o ex-presidente escolheu o filho para disputar a Presidência em 2026.

A aproximação tem peso político porque Tarcísio, embora não seja candidato à Presidência nesta eleição, é uma das principais lideranças da direita brasileira e exerce influência sobre o eleitorado paulista.

O eixo da segurança pública também vem ganhando espaço na estratégia de Flávio. Reportagens recentes apontam que sua campanha trabalha para apresentar propostas de endurecimento no combate à criminalidade, buscando associar sua candidatura ao legado político do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Neste domingo, porém, Flávio cancelou uma participação que estava prevista para a inauguração da Casa Bolsonaro, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

Caiado aposta no debate para ganhar espaço nacional

Entre os candidatos que estarão no debate da Band está Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás.

Caiado começou sua campanha justamente por Goiás, estado que governou por dois mandatos. A estratégia inicial foi reforçar sua identificação com a região Centro-Oeste e, posteriormente, ampliar a presença em outras áreas do país.

A participação no primeiro debate televisivo representa uma oportunidade para o candidato ampliar sua exposição nacional, especialmente diante das ausências de Lula e Flávio.

Neste domingo, Caiado também criticou a ausência dos dois principais nomes do cenário eleitoral no encontro da Band, classificando os adversários como “fujões”. A declaração foi feita no contexto da discussão sobre a participação dos presidenciáveis no primeiro debate da campanha.

Zema leva discurso econômico para a campanha

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, candidato do Novo, também estará no debate.

Na campanha, Zema vem destacando temas relacionados à economia, ao tamanho do Estado, à Previdência e às relações de trabalho. No sábado (22), em São Paulo, ele conversou com aposentados e pensionistas e defendeu mudanças nas regras trabalhistas e previdenciárias, incluindo a discussão sobre contratos remunerados por hora.

Assim como Caiado, Zema terá no debate uma oportunidade de apresentar diretamente suas propostas ao eleitorado, em um cenário marcado pela ausência dos dois candidatos que ocupam maior espaço na disputa nacional.

Renan Santos busca espaço entre os demais candidatos

O candidato Renan Santos, do Missão, também está confirmado no debate.

Ele iniciou oficialmente sua campanha em São Paulo e, desde então, vem utilizando eventos públicos, entrevistas e atos políticos para tentar ampliar o conhecimento de seu nome nacionalmente. A participação no debate coloca o candidato diante de uma audiência maior justamente no começo da campanha eleitoral.

Augusto Cury completa o grupo do debate

Augusto Cury, candidato pelo Avante, também foi convidado para o debate da Band e está entre os nomes que confirmaram participação.

A emissora havia convidado seis candidatos: Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Augusto Cury. Com as desistências de Lula e Flávio, os demais ocupam o centro das atenções do primeiro confronto televisivo da eleição.

Debate marca primeiro grande confronto da eleição

O debate está programado para começar às 20h deste domingo (23), nos estúdios da Band, em São Paulo.

Segundo as informações divulgadas pela emissora e pela imprensa, o programa terá três blocos temáticos, perguntas dos apresentadores e jornalistas, além de momentos de confronto direto entre os candidatos. Os púlpitos destinados a Lula e Flávio permanecerão vazios.

A ausência dos dois candidatos mais conhecidos da disputa muda o peso político do primeiro debate. Para Caiado, Zema, Renan Santos e Augusto Cury, o encontro representa uma oportunidade de apresentar propostas, confrontar adversários e buscar maior visibilidade nacional.

Direita tenta organizar forças em torno de Flávio

Paralelamente ao debate, os movimentos políticos registrados neste fim de semana mostram uma tentativa de consolidação do campo da direita em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro.

A declaração de Tarcísio de Freitas em Barretos, classificando Flávio como herdeiro do projeto político de Jair Bolsonaro, reforça essa movimentação.

O cenário, entretanto, ainda apresenta diferentes candidaturas de direita, como Caiado e Zema, além de outros nomes registrados na disputa. A eleição está apenas no início e as alianças, estratégias regionais e desempenho dos candidatos nos próximos debates e pesquisas ainda poderão alterar a configuração da disputa.

Campanha entra na fase de maior exposição

Com a aproximação do início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, marcado para 28 de agosto, os candidatos deverão ampliar a presença em eventos, entrevistas, redes sociais e viagens pelo país.

O cenário atual mostra dois movimentos simultâneos: Lula busca defender o governo e ampliar sua presença eleitoral, enquanto Flávio Bolsonaro procura consolidar a transferência do capital político do bolsonarismo para sua candidatura. Ao mesmo tempo, Caiado, Zema, Renan Santos e Augusto Cury tentam aproveitar o início da campanha e os espaços de debate para se apresentar ao eleitorado.

A partir da próxima semana, com a entrada da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, a disputa deverá ganhar ainda mais intensidade e permitir ao eleitor comparar diretamente os discursos, propostas e alianças dos candidatos.