Eleição 2026: candidatos dão a largada

Lula,Primeiro dia oficial da corrida ao Palácio do Planalto foi marcado por atos em São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Minas Gerais e expôs as principais estratégias dos candidatosFlávio e principais nomes da disputa iniciam campanha em diferentes regiões do país

A corrida pelo Palácio do Planalto entrou oficialmente em uma nova fase neste domingo (16), com o início da campanha eleitoral para as eleições presidenciais de 2026. Os principais candidatos foram às ruas em diferentes regiões do país e escolheram locais simbólicos de suas trajetórias políticas para apresentar as primeiras mensagens da disputa.

O calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabelece 16 de agosto como o primeiro dia permitido para a propaganda eleitoral nas ruas e na internet. A partir desta data, também estão autorizados pedidos explícitos de voto, carreatas, caminhadas, distribuição de material de campanha e comícios, observadas as regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.

Com 13 candidaturas registradas para a Presidência, a disputa começa concentrada principalmente entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que aparecem à frente dos demais nomes nas pesquisas. No levantamento Genial/Quaest divulgado na sexta-feira (14), Lula tinha 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 31% de Flávio Bolsonaro. Ronaldo Caiado e Renan Santos apareciam com 4% cada, enquanto Romeu Zema e Augusto Cury registravam 2%.

Lula escolhe São Bernardo do Campo para abrir campanha

Candidato à reeleição, Lula escolheu São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, para iniciar oficialmente a campanha. O local tem forte significado na trajetória do presidente, que construiu sua carreira política a partir do movimento sindical e das mobilizações dos trabalhadores do ABC paulista.

O ato ocorreu no Estádio Primeiro de Maio e foi marcado por referências às origens políticas do presidente, à sua família e à trajetória sindical. A campanha apresentou o slogan “O Brasil pronto para mais”, acompanhado da identificação “Onde tudo começou”.

Lula também colocou as mulheres no centro do primeiro discurso de campanha, ao lado da primeira-dama Janja da Silva e de outras lideranças políticas. O presidente voltou a defender a criação de um Ministério da Segurança Pública e tratou de soberania nacional em meio ao atual cenário de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos.

A estratégia petista busca combinar a defesa dos resultados do governo com a recuperação da memória política de Lula e a tentativa de ampliar sua vantagem entre diferentes segmentos do eleitorado.

Flávio Bolsonaro aposta em segurança e no legado do pai

No Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro escolheu a praia de Copacabana para marcar o início de sua campanha. O local é um dos principais símbolos das mobilizações do campo bolsonarista nos últimos anos.

O candidato do PL adotou discurso fortemente voltado para segurança pública, combate ao crime organizado e críticas ao governo Lula e ao Supremo Tribunal Federal.

Flávio também explorou a imagem e o legado político do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante o ato, foi reproduzido um áudio de Bolsonaro e houve manifestações de apoio ao ex-presidente.

Entre as propostas apresentadas, Flávio defendeu o endurecimento das políticas de segurança e a classificação das milícias como organizações terroristas, além de prometer redução de gastos públicos e impostos. O slogan escolhido para a campanha é “O Brasil vai vencer”.

A campanha também confirmou que Flávio deverá utilizar colete à prova de balas durante a agenda eleitoral por orientação de sua equipe de segurança.

Caiado começa em Goiás e tenta ocupar espaço na direita

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) iniciou a campanha em seu principal reduto político. A agenda começou com uma missa em Goiânia e seguiu com uma carreata por cidades da região, incluindo Águas Lindas, Novo Gama, Valparaíso e Luziânia.

Caiado apresentou a experiência administrativa e a segurança pública como pilares de sua candidatura. O candidato também aproveitou o primeiro dia de campanha para reforçar que se coloca como oposição ao governo Lula.

A largada ocorreu em meio a uma crise política dentro do próprio PSD. O presidente nacional da legenda e vice de Caiado, Gilberto Kassab, fez declarações recentes avaliando que Flávio Bolsonaro teria dificuldades para vencer a eleição e que setores do chamado centrão estariam mais próximos de Lula.

Caiado procurou se descolar dessa avaliação e afirmou que sua candidatura é independente e que nunca esteve ao lado de Lula.

Zema leva discurso de endurecimento penal para Minas

Em Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) iniciou a campanha em Montes Claros. O governador mineiro apresentou a segurança pública como uma das principais bandeiras de sua candidatura.

Entre as propostas anunciadas está a construção de um presídio de segurança máxima destinado a líderes de organizações criminosas, além da ampliação do sistema penitenciário e de medidas voltadas à proteção das mulheres.

Zema também voltou a criticar ministros do Supremo Tribunal Federal e afirmou que pretende disputar o segundo turno. O candidato defendeu ainda a união do campo político de direita que se opõe ao PT.

Renan Santos aposta em discurso duro contra Lula e Flávio

O candidato do Partido Missão, Renan Santos, escolheu o Largo São Francisco, no centro de São Paulo, para iniciar sua campanha.

O local fica em frente à Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), instituição onde Renan estudou. O ato reuniu principalmente um público jovem e teve como eixo central a segurança pública.

Renan direcionou críticas tanto a Lula quanto a Flávio Bolsonaro, tentando apresentar sua candidatura como uma alternativa dentro do campo da direita.

O candidato também defendeu medidas mais duras contra organizações criminosas e abordou temas relacionados à soberania nacional, tecnologia e exploração das reservas brasileiras de terras raras.

Augusto Cury estreia na disputa presidencial

O escritor e empresário Augusto Cury, candidato pelo Avante, iniciou sua primeira campanha presidencial em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Cury apresentou propostas de mudanças institucionais e defendeu a substituição do presidencialismo pelo semipresidencialismo, com a criação do cargo de primeiro-ministro.

Entre suas principais bandeiras estão educação, saúde mental, empreendedorismo, combate à violência contra as mulheres e ampliação da telemedicina.

O candidato também propôs limitar a oito anos o período de permanência de ministros do Supremo Tribunal Federal e afirmou que pretende financiar milhões de microempresas como parte de sua política econômica.

Pesquisas mostram vantagem de Lula, mas disputa pelo segundo turno começa apertada

Embora Lula largue na frente no primeiro turno, os levantamentos mais recentes mostram uma disputa mais equilibrada quando o cenário é reduzido a dois candidatos.

Na pesquisa Genial/Quaest divulgada em 14 de agosto, Lula aparece com 43% contra 40% de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

No primeiro turno, o levantamento registrou Lula com 38% e Flávio com 31%. Caiado e Renan Santos aparecem com 4% cada, enquanto Zema e Cury têm 2%.

Outro levantamento, da CNT/MDA, realizado entre 5 e 9 de agosto, também apontou Lula na liderança. O presidente apareceu com 42,4%, contra 28,7% de Flávio. Caiado registrou 4%, Zema 3,3% e Renan Santos 2,8%.

Os números mostram que, apesar da vantagem de Lula no primeiro turno, o cenário ainda está aberto, principalmente diante do elevado nível de rejeição aos dois candidatos que lideram a corrida.

Uma eleição marcada pela polarização

O primeiro dia de campanha deixou clara a estratégia dos dois principais polos da eleição.

Lula iniciou a caminhada apostando na experiência de governo, na memória de sua trajetória política, em políticas sociais, na participação feminina e no discurso de soberania nacional.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, concentrou a largada na segurança pública, no combate ao crime organizado, na crítica ao governo petista e na defesa do legado de Jair Bolsonaro.

Ao redor dos dois, Caiado e Zema tentam ocupar o espaço da direita sem depender diretamente do núcleo bolsonarista, enquanto Renan Santos procura apresentar uma alternativa mais radical nesse mesmo campo. Augusto Cury, por outro lado, tenta construir uma candidatura baseada em saúde mental, educação, empreendedorismo e mudanças institucionais.

A partir de agora, a disputa entra em uma etapa de maior exposição pública. Os candidatos poderão ampliar a presença nas ruas, nas redes sociais e, posteriormente, no rádio e na televisão, enquanto debates e pesquisas deverão aumentar a pressão sobre as campanhas.

O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Caso nenhum candidato conquiste maioria absoluta dos votos válidos, haverá segundo turno em 25 de outubro.

A eleição que começou oficialmente neste domingo ainda está longe de ter um resultado definido. Mas a largada já mostrou que a disputa pelo Palácio do Planalto será marcada por forte polarização, segurança pública, economia, soberania nacional e pela tentativa de cada candidato de conquistar o eleitorado que ainda não está decidido.