
Jorginho Mello, João Rodrigues e Gelson Merisio adotaram estratégias distintas na largada oficial da disputa pelo Governo de Santa Catarina
A corrida pelo Governo de Santa Catarina entrou oficialmente nas ruas neste domingo (16), primeiro dia autorizado para a campanha eleitoral de 2026. Os principais candidatos aproveitaram a data para apresentar suas estratégias, mobilizar apoiadores e reforçar alianças políticas em diferentes regiões do Estado.
O governador Jorginho Mello (PL), candidato à reeleição, apostou em uma largada marcada por mobilização de rua e demonstração de força política. Ao lado do candidato a vice-governador, Adriano Silva (Novo), Jorginho participou pela manhã, em Florianópolis, do chamado “Arrancadão do 22”, primeiro grande ato eleitoral da chapa na Capital.
Ainda no domingo, Jorginho e Adriano seguiram para Joinville, onde inauguraram o comitê eleitoral da campanha. O evento reuniu cerca de 4 mil pessoas, segundo o Portal Upiara, além de prefeitos, vereadores, candidatos, lideranças políticas e apoiadores de diferentes regiões de Santa Catarina.
A escolha de Joinville não foi casual. A cidade possui o maior eleitorado de Santa Catarina e representa um dos principais polos econômicos e industriais do Estado. A agenda também contou com nomes importantes do palanque do PL, entre eles a candidata ao Senado Carol de Toni e Carlos Bolsonaro, cuja presença ajudou a reforçar a dimensão nacional da disputa catarinense.
João Rodrigues começa pelo Oeste e segue para o Sul
O candidato João Rodrigues (PSD) adotou uma estratégia diferente. O ex-prefeito de Chapecó iniciou o primeiro dia de campanha no Oeste catarinense, região onde construiu sua principal base política.
Em Chapecó, Rodrigues fez visitas e participou da abertura do comitê de campanha. Na sequência, deslocou-se para Araranguá, no Sul do Estado, onde participou do aniversário e do lançamento da candidatura do deputado estadual Tiago Zilli (MDB).
A agenda permitiu ao candidato percorrer duas regiões eleitoralmente importantes já no primeiro dia e, ao mesmo tempo, reforçar a aliança que reúne PSD, MDB e União Progressista em torno da candidatura ao Governo do Estado.
A estratégia de Rodrigues também sinaliza que sua campanha deverá explorar a presença regional e a comparação com a atual administração estadual. O candidato vem se apresentando como alternativa ao governo Jorginho Mello e chega à disputa com uma aliança partidária de grande estrutura no Estado.
Merisio aposta em Lula e no campo progressista
Já Gelson Merisio (PSB) iniciou a campanha por uma via diferente. O candidato que lidera a chapa do chamado Campo Democrático participou, ao lado da candidata a vice, Angela Albino (PDT), do lançamento nacional da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição, realizado em São Bernardo do Campo, em São Paulo.
A presença de Merisio no evento serviu para reforçar a ligação da chapa catarinense com o projeto político de Lula. A aliança reúne PSB, PT, PDT, PSOL, Rede e outros partidos do campo progressista.
Merisio, que tem trajetória política identificada historicamente com a centro-direita, tornou-se o principal nome do palanque de Lula em Santa Catarina. A escolha cria uma composição considerada peculiar no cenário estadual e coloca a eleição catarinense também dentro da disputa nacional entre os campos políticos liderados por Lula e pelo bolsonarismo.

Uma disputa com forte componente nacional
O primeiro dia de campanha deixou evidente que a eleição catarinense terá forte influência da política nacional.
De um lado, Jorginho Mello tenta manter a liderança política do campo conservador e busca a reeleição com o apoio do PL e de aliados. A presença de integrantes da família Bolsonaro e a mobilização realizada em Florianópolis e Joinville reforçaram esse posicionamento.
Do outro, João Rodrigues apresenta-se como uma alternativa dentro do campo de centro-direita, sustentado por uma aliança que reúne PSD, MDB e União Progressista e que busca disputar o eleitorado atualmente identificado com o governo estadual.
Merisio, por sua vez, ocupa o espaço do campo progressista e terá Lula como principal referência nacional de sua campanha.
Esse desenho faz com que a eleição de Santa Catarina tenha, desde o primeiro dia, uma disputa simultânea por força regional, alianças partidárias e identidade ideológica.
O que muda a partir de agora
A largada deste domingo representa apenas o início de uma campanha que terá cerca de 50 dias até o primeiro turno. A partir de agora, os candidatos devem intensificar viagens pelo Estado, reuniões políticas, produção de conteúdo para as redes sociais e atos públicos.
A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão terá início em 28 de agosto, conforme o calendário eleitoral, ampliando o espaço de exposição dos candidatos e permitindo que as campanhas apresentem programas de governo, propostas e críticas aos adversários.
Com oito candidaturas registradas ou encaminhadas para a disputa pelo Governo de Santa Catarina, o cenário ainda pode sofrer alterações ao longo das próximas semanas. Entretanto, o primeiro dia já mostrou três estratégias claramente identificáveis: Jorginho apostando na força do governo e do campo bolsonarista; João Rodrigues buscando ocupar território e consolidar a aliança de centro-direita; e Gelson Merisio associando sua candidatura ao projeto nacional de Lula.
A eleição, agora oficialmente nas ruas, começa com uma disputa que promete colocar frente a frente diferentes projetos para Santa Catarina e diferentes visões sobre o futuro político do Estado.



