
Levantamento divulgado nesta segunda-feira mostra Lula com 41% e Flávio Bolsonaro com 37% no primeiro turno; no segundo, diferença cai para apenas um ponto. Cálculos sobre os dados revelam o tamanho real da disputa
A corrida presidencial de 2026 entrou em uma nova fase nesta segunda-feira (24), com a divulgação da 11ª rodada da pesquisa BTG Pactual/Nexus, realizada entre os dias 21 e 23 de agosto.
O levantamento mostra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 41% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 37%. Ronaldo Caiado (PSD) tem 5%, Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) aparecem com 3% cada, Augusto Cury (Avante) tem 2% e Samara Martins (UP), 1%. Brancos, nulos e nenhum candidato somam 5%, enquanto 3% não sabem ou não responderam.
Foram entrevistados 2.006 eleitores, em todas as 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-09028/2026.
A matemática do primeiro turno
Os números brutos indicam uma vantagem de 4 pontos percentuais para Lula.
Mas a margem de erro precisa ser considerada.
Matematicamente, considerando o intervalo de dois pontos informado pelo instituto, Lula poderia estar aproximadamente entre 39% e 43%, enquanto Flávio poderia estar entre 35% e 39%.
Isso significa que existe uma faixa de sobreposição no limite dos resultados.
Portanto, não é tecnicamente correto afirmar que Lula esteja matematicamente fora do alcance de Flávio no primeiro turno. A pesquisa mostra vantagem numérica do presidente, mas os dois estão próximos o suficiente para que a margem de erro seja relevante.
Uma segunda forma de enxergar os números
Dos 2.006 entrevistados, os percentuais equivalem aproximadamente a:
- Lula: 822 entrevistados
- Flávio Bolsonaro: 742 entrevistados
- Diferença: aproximadamente 80 entrevistados
Essa diferença de cerca de 80 pessoas na amostra corresponde aos quatro pontos percentuais registrados no levantamento.
É importante destacar que essa conversão é apenas uma aproximação matemática dos percentuais arredondados, e não significa que exatamente esse número de entrevistados tenha escolhido cada candidato.
E se forem considerados apenas os candidatos escolhidos?
Há outro cálculo interessante.
Os candidatos somam aproximadamente 92% das respostas no principal cenário de primeiro turno. Os outros 8% correspondem a branco/nulo/nenhum e não sabe/não respondeu.
Se simplesmente retirarmos esses 8% da base e redistribuirmos matematicamente apenas entre os candidatos que receberam indicação de voto, o resultado aproximado seria:
Lula: 41 ÷ 92 = 44,6%
Flávio Bolsonaro: 37 ÷ 92 = 40,2%
Ou seja, entre os entrevistados que indicaram algum candidato, a diferença proporcional seria de aproximadamente 4,4 pontos.
Esse cálculo, entretanto, não deve ser apresentado como resultado oficial de votos válidos, porque pesquisa de intenção de voto e apuração eleitoral são conceitos diferentes. Trata-se apenas de uma projeção matemática feita a partir dos números publicados.
Segundo turno muda completamente a fotografia
É no segundo turno que a pesquisa apresenta seu dado mais importante.
Em uma eventual disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, o levantamento aponta:
Lula — 46%
Flávio Bolsonaro — 45%
Branco/nulo/nenhum — 8%
Não sabe/não respondeu — 1%
A diferença nominal é de apenas 1 ponto percentual. Na pesquisa anterior, Lula tinha 47% e Flávio, 44%. Portanto, em uma semana, a vantagem numérica caiu de 3 para 1 ponto.
Como a margem de erro é de dois pontos, os intervalos matemáticos aproximados seriam:
Lula: 44% a 48%
Flávio Bolsonaro: 43% a 47%
Existe, portanto, uma ampla área de sobreposição.
É por isso que o resultado é classificado como empate técnico.
Projeção matemática entre os dois candidatos
Existe ainda uma maneira de visualizar a disputa retirando, exclusivamente para efeito matemático, os 9% que não escolheram nenhum dos dois ou não responderam.
Lula e Flávio somam 91%.
Fazendo a normalização:
Lula: 46 ÷ 91 = 50,55%
Flávio Bolsonaro: 45 ÷ 91 = 49,45%
Ou seja, entre os entrevistados que escolheram diretamente um dos dois candidatos, a fotografia matemática da pesquisa fica próxima de:
Lula 50,5% x 49,5% Flávio Bolsonaro
Isso não significa que a eleição esteja decidida, nem que essa será a proporção de votos válidos em outubro. É apenas uma forma matemática de mostrar como é pequena a diferença registrada pela pesquisa entre os dois candidatos no segundo turno.
Na amostra de 2.006 pessoas, os 46% representam aproximadamente 923 entrevistados e os 45%, aproximadamente 903. A diferença matemática é de cerca de 20 entrevistados, considerando a conversão direta dos percentuais arredondados.
O fator regional pode ser decisivo
A pesquisa também mostra uma forte divisão regional.
No segundo turno, Lula aparece com 57% no Nordeste, contra 35% de Flávio Bolsonaro.
No Sul, ocorre o inverso: Flávio registra 54%, contra 37% de Lula.
No Norte e Centro-Oeste, Flávio tem 53%, enquanto Lula aparece com 38%.
Já no Sudeste, a disputa é muito mais equilibrada: 46% para Lula e 44% para Flávio.
Essa distribuição ajuda a explicar por que uma diferença nacional de apenas um ponto pode esconder diferenças muito maiores entre as regiões.
Primeiro turno: Flávio reduz distância
A evolução da série histórica também merece atenção.
Na rodada anterior, divulgada em 17 de agosto, Lula tinha 41% e Flávio Bolsonaro, 36%.
Agora Lula permanece em 41%, enquanto Flávio sobe para 37%.
A diferença, portanto, passou de 5 para 4 pontos percentuais.
Em termos matemáticos, Flávio ganhou um ponto na intenção de voto, enquanto Lula permaneceu estável.
O movimento, porém, ainda precisa ser interpretado com cautela porque a margem de erro do levantamento é de dois pontos.
Voto espontâneo mostra concentração ainda maior
Quando os entrevistados não recebem a lista de candidatos, o cenário também revela forte concentração.
Na pesquisa espontânea, Lula aparece com 38%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 31%.
A diferença é de 7 pontos percentuais, superior à observada no cenário estimulado de primeiro turno.
Esse dado pode indicar maior grau de lembrança espontânea dos dois principais candidatos, embora também não permita prever sozinho o resultado eleitoral.
Rejeição é outro ponto de atenção
A pesquisa mostra ainda uma disputa bastante marcada pela rejeição.
49% dos entrevistados afirmam que não votariam em Lula de jeito nenhum, enquanto 48% dizem o mesmo em relação a Flávio Bolsonaro.
Os dois aparecem, portanto, praticamente empatados também nesse indicador.
Esse dado é importante porque uma eleição de segundo turno não depende apenas da capacidade de conquistar novos eleitores, mas também da capacidade de reduzir rejeições e atrair eleitores que hoje estão fora das duas candidaturas.
Flávio cresce em segmentos específicos
O levantamento aponta diferenças importantes no perfil do eleitorado.
No primeiro turno, Lula aparece à frente entre as mulheres, com 48% contra 31% de Flávio. Entre os homens, Flávio registra 43% contra 34% de Lula.
Entre os evangélicos, Flávio chega a 47%, enquanto Lula tem 29%. Entre os eleitores sem religião, Lula registra 54%, contra 20% de Flávio.
Na renda familiar, Lula chega a 55% entre aqueles que recebem até um salário mínimo, enquanto Flávio tem 26%. No grupo com renda superior a cinco salários mínimos, Flávio aparece com 41%, contra 36% de Lula.
A agenda dos candidatos
A movimentação política desta segunda-feira acompanha o cenário mais competitivo apontado pela pesquisa.
Flávio Bolsonaro concentrou a agenda em São Paulo, com reunião com a direção da Fiesp e participação em uma premiação empresarial no Palácio Tangará.
Lula permaneceu em Brasília e não tinha compromissos públicos de campanha previstos para esta segunda-feira, mantendo agenda institucional na capital federal.
Ronaldo Caiado também esteve em São Paulo, enquanto Romeu Zema dividiu sua agenda entre Belford Roxo e o Rio de Janeiro.
O movimento ocorre depois do primeiro debate presidencial da campanha, realizado no domingo, que teve as ausências de Lula, Flávio Bolsonaro e Zema. Participaram Caiado, Renan Santos e Augusto Cury.
O que os números permitem projetar?
A matemática da pesquisa permite estabelecer três conclusões objetivas.
1. Primeiro turno: Lula lidera numericamente por 41% a 37%, mas a diferença de quatro pontos está dentro de um cenário em que a margem de erro precisa ser considerada.

2. Segundo turno: Lula aparece com apenas um ponto de vantagem — 46% a 45% — configurando empate técnico.
3. Eleitorado ainda decisivo: os 9% que não escolheram Lula nem Flávio no segundo turno representam um grupo potencialmente relevante para a formação do resultado final, embora não seja correto afirmar que esses eleitores necessariamente migrarão para um dos dois.
Em outras palavras, a pesquisa não aponta um vencedor matemático neste momento.
Ela mostra uma eleição polarizada, com Lula à frente numericamente no primeiro turno e praticamente empatado com Flávio Bolsonaro no segundo.
Projeção não é previsão
É importante fazer uma distinção para evitar interpretações equivocadas.
Os cálculos apresentados nesta matéria são projeções matemáticas elaboradas a partir dos percentuais publicados pela pesquisa BTG/Nexus. Eles não constituem uma previsão do resultado eleitoral e não permitem afirmar quantos votos cada candidato receberá em outubro.
A própria margem de erro demonstra o grau de incerteza. Uma pesquisa com 95% de confiança e margem de erro de dois pontos não permite transformar uma diferença de um ponto em vantagem estatisticamente segura.
O cenário, portanto, é de disputa aberta.
Com o avanço da campanha, novos debates, propaganda eleitoral, alianças, exposição dos candidatos e eventuais fatos políticos poderão alterar a fotografia registrada nesta pesquisa.
A fotografia matemática de 24 de agosto
| Indicador | Lula | Flávio Bolsonaro |
|---|---|---|
| 1º turno | 41% | 37% |
| Diferença no 1º turno | +4 pontos | — |
| 2º turno | 46% | 45% |
| Diferença no 2º turno | +1 ponto | — |
| 2º turno normalizado entre os dois | 50,5% | 49,5% |
| Voto espontâneo | 38% | 31% |
| Rejeição | 49% | 48% |
Conclusão: a pesquisa BTG/Nexus divulgada em 24 de agosto apresenta Lula numericamente à frente, mas revela uma corrida presidencial muito mais equilibrada quando projetada para o segundo turno. A diferença de apenas um ponto entre Lula e Flávio Bolsonaro está totalmente dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, o que matematicamente caracteriza um cenário de empate técnico.



