
A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, declarou que pretende regressar em breve ao país, após a captura do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. Em entrevista à Fox News, Machado exaltou o presidente norte-americano Donald Trump pela operação que derrubou o regime chavista e afirmou que seu movimento está pronto para vencer em eleições livres.
Machado, de 58 anos, engenheira industrial e mãe de três filhos, fugiu da Venezuela em outubro para receber o Prêmio Nobel da Paz, dedicado a Trump. Ela reiterou que a oposição venceu as eleições de 2024 “em condições fraudulentas” e que, em um pleito justo, conquistaria “mais de 90% dos votos”.
Apesar dos elogios, Trump sinalizou que, por ora, pretende trabalhar com a presidente interina Delcy Rodríguez e outros altos funcionários do governo Maduro, o que gerou frustração entre opositores e aumentou a tensão no país. “Primeiro temos que consertar o país. Não dá para ter eleição. Não tem como as pessoas sequer votarem”, disse Trump à NBC, descartando a realização de eleições em 30 dias.
Transição contestada
Rodríguez, aliada histórica de Maduro e agora chefe de Estado interina, denunciou o “sequestro” do ex-presidente e pediu relações respeitosas com Washington. Machado, por sua vez, classificou Rodríguez como “uma das principais arquitetas da tortura, perseguição, corrupção e narcotráfico”, rejeitada pelo povo venezuelano e sem credibilidade internacional.
Enquanto isso, autoridades venezuelanas ordenaram a prisão de colaboradores da deposição de Maduro e detiveram brevemente jornalistas que cobriam os acontecimentos em Caracas. Imagens verificadas mostraram disparos da polícia contra drones não autorizados, em meio a um clima oficial de “normalidade”.
Maduro se declara inocente
Em Nova York, Maduro, de 63 anos, declarou-se inocente das acusações de tráfico de drogas em tribunal de Manhattan. Algemado e vestido com uniforme de presidiário, afirmou ser “um homem decente” e ainda presidente da Venezuela. Ele é acusado de liderar uma rede internacional de tráfico de cocaína, acusação que nega há anos, atribuindo-a a interesses imperialistas ligados ao petróleo.
A Venezuela, que possui as maiores reservas de petróleo do mundo, enfrenta queda acentuada na produção, hoje em torno de 1,1 milhão de barris por dia – um terço do volume registrado nos anos 1970. O setor sofre com má gestão, sanções e falta de investimentos.
Reações internacionais
A intervenção dos EUA, considerada a maior na América Latina desde a invasão do Panamá em 1989, foi condenada por Rússia, China e aliados regionais de esquerda. O escritório de direitos humanos da ONU alertou que a ação transmite a mensagem de que “os poderosos podem fazer o que bem entenderem”. A presidente mexicana Claudia Sheinbaum também criticou, afirmando que “a intervenção nunca trouxe democracia, nem estabilidade duradoura”.
Trump, por sua vez, declarou que os EUA estão “no comando da Venezuela” e que empresas privadas ajudarão a revitalizar a indústria petrolífera. Ele ainda mencionou a possibilidade de novas ações militares na Colômbia e no México, ampliando a preocupação internacional sobre os rumos da política externa norte-americana.



