
Brasília (13/02/2026) – O ministro André Mendonça foi sorteado na noite desta quinta‑feira (12) como novo relator do inquérito que apura supostas fraudes envolvendo o Banco Master, no Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão ocorre após o pedido de afastamento feito por Dias Toffoli, que até então conduzia a investigação na mais alta corte brasileira.
A relatoria, que estava sob o comando de Toffoli desde novembro de 2025, foi redistribuída por meio de sorteio eletrônico, como determina o regimento interno da Corte, após uma reunião do plenário do STF realizada a partir das 16h30 e concluída por volta das 20h30.
Reunião e nota dos ministros
Em nota oficial, os dez ministros da Corte afirmaram que não há cabimento para uma arguição de suspeição contra Toffoli no Caso Master, com base nos artigos 107 do Código de Processo Penal e 280 do Regimento Interno do STF. O texto ressalta ainda que todos os atos praticados pelo ministro até o momento são válidos e expressa apoio pessoal a ele.
A Corte também explicou que o afastamento da relatoria foi feito a pedido do próprio Toffoli, que, considerando “altos interesses institucionais”, comunicou à Presidência do STF sua intenção de enviar os autos para livre redistribuição entre os ministros.
Contexto do Caso Master
O inquérito trata de uma investigação da Polícia Federal (PF) sobre possíveis irregularidades relacionadas ao Banco Master S/A, instituição que enfrentou uma crise de liquidez e foi alvo de uma operação de investigação batizada de Operação Compliance Zero.
A PF chegou a solicitar formalmente ao presidente do STF, Edson Fachin, a suspeição de Toffoli como relator, após encontrar citações ao nome do ministro em mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do banco — informação que tramita sob sigilo de Justiça.
Apesar do pedido, os ministros decidiram pela ausência de fundamento legal para a arguição de suspeição, mas a questão acabou levando Toffoli a optar por deixar a condução do processo.
Polêmica e ligações societárias
O afastamento de Toffoli ocorre em meio à repercussão de matérias jornalísticas e questionamentos públicos sobre possíveis conflitos de interesse. Reportagens apontaram que uma empresa familiar ligada ao ministro teria vendido participação em um resort no Paraná para fundos associados ao grupo empresarial de Vorcaro, embora o ministro negue ter recebido valores e afirme que seus vínculos foram devidamente informados às autoridades competentes.
O gabinete de Toffoli afirmou em comunicado que, pela Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), é permitido ao magistrado integrar o quadro societário de empresas e receber dividendos, desde que não atue na administração dessas sociedades — e que não houve qualquer ato de gestão do ministro no caso específico.
Próximos passos
Com a redistribuição, André Mendonça passa a ser responsável pelas próximas etapas das investigações no STF, incluindo decisões sobre diligências, pedidos de informações e eventuais ações que possam surgir no desenrolar do processo.
O novo relator também terá papel central na interlocução com a PF e com a Procuradoria‑Geral da República (PGR) enquanto o inquérito prossegue sob sigilo, com foco em possíveis fraudes que teriam envolvido a emissão de títulos de crédito sem lastro e tentativas de transferência de ativos para outras instituições financeiras.




