
Dois fortes terremotos registrados em menos de um minuto provocaram destruição em larga escala, interromperam serviços essenciais e deixaram centenas de vítimas; especialistas afirmam que não há risco de um “efeito dominó” de grandes sismos na América do Sul.
A Venezuela vive uma das maiores tragédias naturais de sua história recente após ser atingida, na noite da quarta-feira (24), por dois terremotos de grande magnitude que devastaram parte da região norte do país. Os abalos, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreram com apenas 39 segundos de intervalo, fenômeno conhecido na sismologia como “doublet”, quando dois grandes terremotos acontecem praticamente na mesma região em curto espaço de tempo, ampliando significativamente o potencial destrutivo.
De acordo com o balanço divulgado nesta quinta-feira (25), ao menos 188 pessoas morreram, cerca de 1.500 ficaram feridas, centenas permanecem desaparecidas e mais de 200 pessoas continuam soterradas, enquanto equipes de resgate trabalham ininterruptamente em busca de sobreviventes. As autoridades alertam que o número de vítimas pode aumentar nas próximas horas à medida que novos escombros são removidos.
Estado de emergência
O governo venezuelano decretou estado de emergência e concentrou os esforços de resgate principalmente no estado de La Guaira, considerado o mais atingido, além da região metropolitana de Caracas.
Diversos edifícios residenciais e comerciais desabaram completamente. Também foram registrados danos em hospitais, escolas, rodovias, pontes e redes de abastecimento de água e energia elétrica. O principal aeroporto internacional do país suspendeu temporariamente suas operações, enquanto o sistema de metrô da capital permaneceu fechado durante parte do dia para inspeções estruturais.
Especialistas ainda monitoram dezenas de réplicas registradas após os dois grandes tremores, aumentando o risco de novos desabamentos em estruturas já comprometidas.
Tremores foram sentidos em países vizinhos
Além da Venezuela, os terremotos foram percebidos em várias regiões da Colômbia, em Trinidad e Tobago e também no extremo norte do Brasil.
No estado do Amazonas, moradores relataram oscilações em prédios e muitos deixaram edifícios por precaução. A Defesa Civil informou que não houve registro de danos estruturais significativos em território brasileiro.
Existe risco para outros países da América do Sul?
Segundo geólogos e sismólogos, não há evidências científicas de que os terremotos ocorridos na Venezuela possam desencadear grandes terremotos em países como Brasil, Argentina, Chile ou Uruguai.
O terremoto ocorreu na região de interação entre as placas tectônicas do Caribe e da América do Sul. Já países como Chile, Peru e Equador sofrem influência principalmente da subducção da Placa de Nazca, um sistema geológico diferente.
Os especialistas explicam que grandes terremotos podem provocar réplicas e pequenos reajustes em falhas próximas ao epicentro, mas não geram um efeito em cadeia capaz de desencadear grandes eventos sísmicos em todo o continente.
Brasil continua em área de baixa atividade sísmica
Embora o tremor tenha sido percebido em municípios do Norte do Brasil, especialistas reforçam que o país permanece entre as regiões de menor atividade sísmica do planeta.
Isso ocorre porque o território brasileiro está localizado no interior da Placa Sul-Americana, distante dos principais limites entre placas tectônicas, onde normalmente acontecem os terremotos mais intensos.
Os pequenos tremores registrados ocasionalmente no Brasil estão relacionados, na maioria das vezes, à reativação de antigas falhas geológicas e não possuem ligação direta com grandes terremotos registrados em países vizinhos.
Ajuda internacional começa a chegar
Diversos países anunciaram apoio humanitário à Venezuela. Equipes especializadas em busca e salvamento urbano, hospitais de campanha, medicamentos, alimentos e recursos financeiros começaram a ser mobilizados para auxiliar as operações.
Organizações internacionais também iniciaram campanhas emergenciais para atendimento às milhares de famílias desalojadas. O governo venezuelano anunciou um fundo inicial para reconstrução das áreas devastadas.
Um dos maiores terremotos da história recente do país
Especialistas classificam o episódio como o mais forte registrado na Venezuela em mais de um século, reacendendo o debate sobre investimentos em infraestrutura resistente a terremotos, sistemas modernos de alerta precoce e planos de resposta rápida para desastres naturais.
Enquanto as buscas continuam, autoridades mantêm o alerta para novas réplicas e orientam a população a evitar edificações danificadas até a conclusão das inspeções técnicas.



