
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo (19) o envio de uma nova delegação diplomática ao Paquistão para retomar negociações com o Irã, em meio à escalada de tensões no Golfo Pérsico. Ao mesmo tempo, o líder norte-americano endureceu o discurso e voltou a ameaçar o país persa com ataques diretos à sua infraestrutura estratégica.
Segundo Trump, representantes americanos devem chegar a Islamabad na noite de segunda-feira (20), o que reduz o prazo para avanços antes do término de um cessar-fogo temporário de duas semanas. Em publicação na rede Truth Social, o presidente acusou o Irã de violar o acordo ao realizar disparos no Estreito de Ormuz, incluindo ataques direcionados a embarcações europeias.
“Estamos oferecendo um acordo justo e razoável. Se não aceitarem, os Estados Unidos vão destruir todas as usinas de energia e pontes do Irã”, afirmou Trump, elevando o tom da crise diplomática.
De acordo com a agência Reuters, a delegação americana será liderada pelo vice-presidente JD Vance. Também devem integrar a missão o enviado especial Steve Kushner e Jared Kushner, ambos envolvidos nas rodadas iniciais de negociação.
Do lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, indicou que houve avanços parciais nas conversas, mas ressaltou divergências significativas, especialmente em relação ao programa nuclear e ao controle do estreito.
Tensões no Estreito de Ormuz
A crise se intensificou após o Irã retomar restrições à navegação no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. A medida reverteu uma flexibilização adotada dias antes e reacendeu preocupações globais sobre o fluxo de energia.
Teerã justifica a decisão como resposta a supostas violações dos Estados Unidos, incluindo a manutenção de bloqueios a portos iranianos, considerados uma quebra do cessar-fogo. Já Washington acusa o país de tentar “chantagear” a comunidade internacional ao restringir o tráfego na hidrovia.
O bloqueio parcial do estreito ocorre desde os ataques realizados por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro. Um cessar-fogo mediado pelo Paquistão havia permitido a reabertura temporária da rota, mas o acordo enfrentou resistência de atores regionais, como o grupo Hezbollah, além de Israel.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, chegou a anunciar que a liberação do tráfego seria válida apenas até 22 de abril, dentro do contexto do cessar-fogo envolvendo Líbano e Israel. No entanto, o descumprimento de termos e a exclusão de pontos sensíveis levaram à retomada das restrições.
Impacto global
A instabilidade no Estreito de Ormuz preocupa mercados internacionais. A região concentra cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo e gás, o equivalente a aproximadamente 20 milhões de barris por dia. Qualquer interrupção significativa pode afetar diretamente os preços globais de energia e a segurança econômica de diversos países.
Enquanto as negociações seguem, o cenário permanece incerto, com riscos de agravamento militar caso não haja avanços diplomáticos nos próximos dias.



