
Transferências que ultrapassam R$ 80 milhões levantam questionamentos e ampliam pressão por transparência no caso
Documentos da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado colocaram sob investigação pagamentos milionários realizados pelo Banco Master ao escritório de advocacia ligado à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
De acordo com os dados, o banco teria pago cerca de R$ 80 milhões entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, por meio de 24 parcelas mensais de aproximadamente R$ 3,6 milhões. As informações foram citadas por veículos como o G1 e o jornal Folha de S.Paulo.
Só em 2024, os repasses somaram R$ 40,11 milhões, conforme registros fiscais obtidos pela CPI após quebra de sigilo do banco.
Contrato milionário e prestação de serviços
Os pagamentos referem-se à contratação do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, cuja atuação foi revelada inicialmente pelo jornal O Globo.
Em nota, o escritório confirmou a prestação de serviços de consultoria e atuação jurídica ao Banco Master, afirmando que também coordenou o trabalho de outros três escritórios especializados. Segundo a defesa, não houve atuação em processos no âmbito do STF.
Ainda de acordo com o escritório, foram realizadas 94 reuniões de trabalho durante a vigência do contrato, além da elaboração de pareceres técnicos em áreas como compliance, regulação e direito trabalhista.
Contrato interrompido após colapso do banco
O contrato previa inicialmente 36 pagamentos mensais, mas foi encerrado antes do prazo. A interrupção ocorreu após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central do Brasil.
A situação financeira da instituição chamou atenção: apesar de declarar cerca de R$ 80 bilhões em ativos, o banco possuía apenas R$ 4 milhões em caixa no momento da intervenção — valor considerado extremamente baixo para garantir a liquidez de um conglomerado financeiro de médio porte.
Investigação e repercussão política
O caso passou a integrar as investigações da CPI do Crime Organizado no Senado, que apura possíveis irregularidades envolvendo o banco e suas relações institucionais.
Parlamentares têm levantado questionamentos sobre o volume dos valores destinados a serviços jurídicos e a necessidade de comprovação detalhada das atividades realizadas. A CPI também discute possíveis conflitos de interesse, embora até o momento não haja comprovação de ilegalidade.
A comissão chegou a aprovar convites para ouvir tanto o ministro Alexandre de Moraes quanto sua esposa, no contexto das apurações sobre o caso.
Debate sobre transparência
Especialistas avaliam que, embora a contratação de serviços jurídicos seja prática comum no setor financeiro, o montante envolvido e a ligação com familiares de autoridades de alto escalão ampliam a necessidade de transparência.
O caso reforça o debate sobre governança, ética e limites nas relações entre instituições privadas e agentes públicos, especialmente em cenários que envolvem cifras elevadas e interesse público.
Até o momento, as investigações seguem em andamento, e o tema deve continuar no centro das discussões políticas e jurídicas no país.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Sistema Guia.



